Capsula de Banca

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

[Série] Santa Clarita Diet

 
Ainda estou decidindo se gosto, ou não de Santa Clarita Diet, confesso que é um tipo de humor que não estou acostumada, culturalmente não estamos acostumados, piadas mórbidas, diálogos sobre morte e pós-morte sempre trazem aquele arrepio de assunto proibido, principalmente quando o corpo é tratado como um simples material orgânico e comestível.

Involuntariamente, pois esse não é o objetivo do enredo, o perfil dos personagens me fizeram refletir sobre as relações humanas. A Drew Barrymore é a corretora de imóveis Sheila Hammond, esposa de Joel e mãe de Abby, sobrevive no modo automático, cumpre sua rotina como um roteiro ensaiado, não sente mais prazer com o marido, família ou com o trabalho, ela simplesmente respira, pulsa, mas não consegue viver de verdade, está morta.

Um dia, Sheila acordou um pouco enjoada, como se algo estivesse fazendo mal, talvez a vida estivesse cobrando uma atitude. Vômito, vômito, mais vômito e uma bolinha vermelha depois, Joel encontra Sheila no chão do banheiro morta, sem pulso, sem reação, definitivamente morta, até que em um grande suspiro ela retorna como se nada tivesse acontecido.

"Aja naturalmente!" :)

Sheila definitivamente é outra pessoa, vibrante, impulsiva, iluminada, ela se libertou de todos os seus medos e pudores para aproveitar o que o mundo tinha para oferecer de bom, voltou a fazer sexo com o marido, passou a dialogar com a família, saia com os amigos, passou a se divertir com a vida e se negou a continuar engolindo os sapos do caminho. Alias, a primeira refeição de Sheila foi um cara que achava que o "NÃO" significava "COM CERTEZA", familiar essa atitude, né?!

Outro detalhe muito importante é que essa tal morte, transformou a Sheila em um zumbi (um tanto quanto vivo, mas zumbi), sendo o oposto da imagem que a grande mídia já vende, mortos-vivos se arrastando pela cidade destruindo a população, mas essa é exatamente a imagem do que ela era antes de ser transformada, quando estava viva. Agora ela é cheia de energia e faminta, seu prato favorito são humanos fresquinhos que ela congela para comer durante a semana.

Pedacinhos de braços e pernas que ela come durante conversas informais com a família, as cenas são hilárias e repulsivas ao mesmo tempo, lembra bastante aquele almoço de domingo devorando a coxa do frango, ou a costelinha do porco. Oi carnívoros! Chegamos ao detalhe de quem deve ser escolhido para morrer, Sheila e Joel chegam ao consenso que ela não vai sair matando de forma aleatória, mas que ela só vai matar pessoas ruins, que não vão fazer falta para a sociedade. O que são pessoas ruins? Depende da sua ótica, qual seu ponto de referência.

"Eu sinto que você é o Batman e o Robin... por enquanto eu sou o só o Alfred"

Na saúde, ou na doença. Até que a morte... faça com que eles fiquem mais unidos. Joel está obstinado a encontrar uma explicação para tudo o que está acontecendo, como alguém pode sobreviver sem pulso? Abby está tentando se adaptar a nova rotina macabra de sua família, mas a vida de uma simples adolescente vai perdendo o sentido na frente do drama que a mãe está vivendo.

A trama vai se desenrolando com a família Hammond tentando levar uma vida normal, mesmo com essa nova configuração. Os vizinhos exercem papel importante no desenvolvimento do enredo e delimita os personagens principais. A história é tão surreal e bizarra, que se torna hilária, só de pensar que uma zumbi quer cultivar uma família nos moldes tradicionais, é cômico.

A Netflix fez uma aposta certeira quando escolheu falar de zumbis, o "monstrinho" da moda, mas fugindo da versão The Walking Dead, escolhendo um elenco de peso, Drew Barrymore e toda a sua energia iluminada e Timothy Olyphant e sua graça, é uma receita de sucesso! 



A Netflix está sempre surpreendendo com o material promocional de suas séries, optando por elementos que possam causar identificação imediata do público, uma das estratégias utilizadas é o regionalismo em sua publicidade. A música Alma Gêmea do Fábio Jr. foi a grande sacada para divulgar a série Santa Clarita Diet no Brasil, a letra impressionantemente lembra o enredo e todo o seu drama, agora vai ficar complicado escutar Fábio Jr. sem lembrar de Sheila e Joel.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

[Cinema] Clinical

Jane Mathis é uma psiquiatra dedicada a casos pós-traumáticos, pacientes que buscam ajuda profissional para conseguir superar algum tipo de trauma e retornar a sociedade. As histórias são longas e cruéis, mas algumas delas não possuem uma linha de raciocínio, nem uma ordem dos fatos. O confronto é o primeiro passo para a reabilitação, ficar de frente com a dor é o inicio da superação, esse é o método usada por Jane.

Nora é uma adolescente que não lembra do que tem medo, qual o seu trauma e como tudo aconteceu, mas a dor estraçalha a sua alma. Confrontada por Jane, a dor de Nora começa a ganhar forma e contexto, é a hora de começar a enfrentá-la, mas algo sai do controle e as coisas não acontecem como planejado. No meio da noite Nora invade o consultório da psiquiatra pronta para se vingar, armada ela perde o controle e põe tudo a perder.

Dois anos após o episódio, Jane tenta reconstruir a sua vida, volta a se relacionar com as pessoas, reabre a sua clínica, mas ainda é arredia quando é confrontada sobre a sua dor. Ela não consegue entender como as coisas chegaram aquele ponto, ou o que exatamente deu errado, essa é a chave para ela encontrar o foco da dor e ter paz, mas ela não se sente forte o bastante para isso.

Optando por casos mais leves, Jane recusa todos os casos pós-traumáticos que batem a sua porta, até o dia que Alex liga pedindo ajuda, um homem desfigurado que sofreu um grave acidente e precisa enfrentar a sociedade novamente. Instigada pelos desafios daquele novo paciente, ela tenta se fortalecer para ajuda-lo, é quando o passado volta a tona e ela descobre que cometeu um grande erro.


Suspense psicológico dirigido por Alistair Legrand, Clinical é a grande aposta da Netflix nessa sexta-feira 13. Enredo que traz como foco o confronto da dor, o longa instiga o público a descobrir o que de fato aconteceu, as histórias são contadas nas sessões de terapia, momento em que os pacientes são provocados a lembrar de seus traumas e esclarecer as partes sombrias. O esquecimento é um mecanismo de defesa do corpo após o trauma, mas também pode fazer com que se abra espaço para criar uma realidade paralela de tudo o que aconteceu.

As cenas de terapia são definidas como uma ajuda as pessoas que não sabem mais como viver, ou como enfrentar a sociedade, mas também traz um profissional que não conduz as conversas, que não se interessa por casos corriqueiros, como os de ansiedade e estresse. É interessante ver o esforço de Jane ao tentar se fortalecer para exercer a sua profissão, para ser o suporte de seus pacientes.

Diversas cenas tive dúvida se o que acontecia era real, ou apenas um reflexo do trauma, mas aos poucos tudo foi se esclarecendo até chegar ao final surpreendente, e que final! Pena que o fim deixou algumas pontas soltas, informações importantes sobre a ligação de Jane, Alex e Nora, mas o filme não perdeu o seu brilhantismo. RECOMENDO!

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

[COLA&BORA] Fisheye | Contos de Òrun Àiyé

Apoiar novos projetos culturais é sempre um motivo de orgulho pra mim, sou daquelas que participa de festivais de bandas desconhecidas, assiste peças de teatro com mais seis gatos pingados, compra fanzine na banquinha da faculdade só pra conhecer novos traços e escritas. Esses sites de financiamento coletivo é só amor, uma oportunidade de apoiar um monte de gente legal que faz arte babado por ai. Toda primeira quarta-feira do mês vou trazer para vocês os projetos que colaborei nos últimos dias, uma forma simples de divulgar as campanhas e fazer com que mais gente conheça.

Livro Fisheye


Depois de 4 anos trabalhando em seu terceiro livro, a autora cearense Kamile Girão está prestes a lançar Fisheye, publicação que exigiu muita pesquisa e dedicação para falar sobre retinose pigmentar, doença sem cura que degenera a visão gradativamente.

Após um acidente em uma festa, Ravena é diagnosticada com a doença, iniciando a sua jornada de descobertas e amadurecimento. Crescer não é tão fácil assim, mas com a ajuda de amigos ela vai conseguir seguir em frente mesmo enxergando o mundo por uma fenda.

O lançamento vai acontecer em abril de 2017, além do livro e dos marcadores, o projeto conta com as ilustrações de Juliana Rabelo, print em A5 e plaquinhas de "não perturbe!". Ajude a viabilizar o projeto contribuindo no Catarse, diversos pacotes de recompensa estão disponíveis.




HQ Contos de Òrun Àiyé

Em agosto de 2016, o ilustrador baiano Hugo Canuto preparou uma homenagem a Jack Kirby, o mestre dos quadrinhos que participou da criação de grandes personagens da Marvel como X-Men e Homem de Ferro, adaptando uma série de histórias de Yorubá para os quadrinhos.

A primeira arte do projeto, The Orixás, foi inspirada na capa da revista Os Vingadores #4, publicada em 1963, em seguida veio a The Might Xangô provocando extrema identificação com o público, fazendo com que o Hugo recebesse diversos pedidos para ilustrar os outros Orixás


Em junho de 2017, o baiano vai lançar a HQ com duas histórias completas sobre a relação de Órun (mundo espiritual) e Àyé (mundo físico), além de pôster, postais e ilustrações exclusivas. O trabalho conta com a participação dos artistas Pedro Minho e Marcelo Kina, entre outros ilustradores mostrando a sua versão dos Orixás na página do Facebook. Ajude a viabilizar o projeto contribuindo através do site do Catarse, após a meta atingida as recompensas serão estendidas.



segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

2017 - o tal ano incrível. Cheio de rapadura!

Entre todas as promessas feitas para esse ano, não me deixar contaminar pelos pensamentos negativos (próprios e alheios) é uma das mais importantes. Diante de um cenário tão conturbado como o que nos encontramos, permanecer com pensamentos positivos e floridos está cada vez mais difícil. Dois mil e dezessete chegou com a missão de ser um ano incrível, mas o fático dois mil e dezesseis deixou uma bagagem pesada demais para esse novo ciclo carregar.

Sempre acreditei que a virada do ano acontece em momentos distintos para cada um, quando a pessoa se sente preparada para se renovar e deixar algumas coisas naquele velho ano. Nessa virada em particular sinto que abriu uma fenda no tempo-espaço entre esses dois momentos e estamos no meio da ponte, caminhando incansavelmente para que dois mil e dezesseis vá embora, mas ele continua sendo visto no horizonte.

Quero desapegar dos queixumes passados e olhar para frente, pensar adiante, tentar enxergar o tal ano incrível que dois mil e dezessete prometeu, olha ele ali! Terminei de fazer minhas promessas, tracei minhas metas, quantifiquei meus objetivos e continuo caminhando na tentativa de atravessar essa ponte, afinal, o copo está sempre meio cheio e nunca meio vazio.

Entre tantos acontecimentos questionáveis, me peguei admirando um camarada que é figurante no meu dia a dia, mas que faz o perfil de mobilizar, o que levanta causas para minimizar dores alheias. Pronto! Quero me inspirar nesse camarada, que todos os dias anda com um pote (depósito) de rapadura com o aviso "se seu dia está amargo, coma rapadura!". Desculpa amigos, mas nesse momento vou voltar para a minha caminhada, comer as minhas rapaduras e trabalhar os pensamentos floridos. Nos vemos em 2017, o tal ano incrível!

🍀🍀🍀🍀🍀🍀

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

As melhores músicas de 2016.

Chega ao fim mais um ano e que ano louco foi esse de 2016? Na música então, num ano em que o Nosso santo bateu, 50 reais e Medo bobo tomaram conta das rádios do Brasil afora, novamente me mantive a margem da nova música popular brasileira e como nenhuma dessas citadas faz meu estilo musical (nada contra quem gosta, OK), fiquei com a tarefa de escolher, na MINHA HUMILDE OPINIÃO, as melhores músicas de 2016. E como música é uma das coisas que me mantem vivo, fiz uma playlist das melhores músicas do ano aqui do Brasil e também around the world. Então, deliciem-se e dancem a chegada de mais um ano. Feliz ano novo, volto ano que vem. ;)



segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Os Melhores Lidos de 2016 - Livros

Final de ano é época de fazer um apanhadinho do que aconteceu nesses 365 dias, relembrar os bons e maus momentos, tentar absorver todas as lições vividas e ver o lado positivo dos fatos. Esse ano sofri um bloqueio literário dramático, li bem menos do que pretendia e escrevi menos ainda, até tive alguns lapsos de devorar um livro em poucas horas, mas a grande maioria fazia mesversário dentro da bolsa. Quer saber o lado positivo do ano? Mesmo com esse bloqueio consegui conhecer algumas história irresistíveis e autores fantásticos. Agora vem cá, deixa eu te contar sobre minhas leituras!

Mulheres Que Não Sabem Chorar - Lilian Farias
Posso falar sem titubear que foi o livro mais marcante do ano, protagonistas fortes, lutas legítimas, causas reais. O enredo foi inspirado na vida de várias mulheres, os capítulos foram separados por nomes de rosas, quem nunca conheceu uma dessas rosas? Quem nunca sentiu o coração sangrar com o relato de violência, discriminação, perseguição, depressão, humilhação?

O relato dessas mulheres mexeu com a alma, incomodou por ter uma imagem tão crua do mundo, a visão de como as pessoas podem ser tão sujas e opressoras, armadas com suas verdades impositoras.

Depois da Chuva - Maria Clara Mattos
Leitura poética, que não promete muita coisa, que não fala muita coisa, mas que vai te envolvendo até você ficar completamente embriagado com o enredo. Duas vidas que se cruzam, o caos e a perfeição, o vendaval e a calmaria, ambos perdidos em uma caminhada sem sentido.

A rotina de todos os dias, o passeio com o cachorro, a banca de jornais. O momento em que o chale sai voando e entrelaçando os caminhos, invertendo os sentidos, levando a calmaria para onde só tinha caos, e o caos para onde era só calmaria. Leitura que se tornou uma grata surpresa, na simplicidade e na delicadeza sem fim.

A Força do Destino - Mônica de Castro
Esse ano me rendi aos livros espiritas, entre as poucas leituras que fiz, a maioria trazia essa proposta, viajei no tempo, conheci alguns ensinamentos, abri a mente. Confesso que apesar do estilo sempre fazer parte da minha vida, eu ainda tinha um certo receio sobre, me provocava um certo temor, mas após ler alguns romances incríveis me rendi, estou apaixonada!

Duas mulheres conectadas pela repetição dos fatos, separadas por algumas décadas, o ódio e a vingança ainda fazem parte da vida delas. A luta pela sobrevivência, pelo entendimento da ligação dos corpos e da alma, a motivação das pessoas mais próximas. Essa conexão que ia além do tempo, poderia salvar suas vidas. 

#Partiu Vida Nova - Leila Rego
As vezes é preciso parar, respirar e avaliar tudo o que aconteceu e o que motivou para as coisas chegarem aquele ponto. As vezes é preciso recuar e tentar pegar um novo caminho para conquistar o que se pretendia. As vezes é preciso reconhecer os seus erros e falhas, dar o braço a torcer e admitir que as coisas saíram do controle.

Um Chick Lit maravilhoso sobre como podemos cair em nossas próprias armadilhas e perder as nossas essências na busca por aceitação, ou na busca do que acreditamos ser o interessante. Repensar na vida e nas relações, foi a sensação que a leitura deixou.

Incríveis Jogos de Palavras - Laércio Bacelar
Vou repetir o que falei na resenha, só pra deixar claro o quanto achei a construção do enredo fascinante: esse livro deveria ser adotado nas escolas! Entendo se você julgar pelo título, pela capa, ou até mesmo por falar de dicionário, fiz o mesmo e adiei a leitura, mas não cometa o mesmo erro.

A forma que o autor percorreu as páginas do dicionário, seus verbetes, seus significas foi de estrema sutileza, o leitor se envolve com a aventura dos personagens e quando menos se espera, um mundo foi apreendido. Permita-se brincar com esses jogos!

Leitura em Números
Livros lidos: 28
Páginas lidas: 5.379
Meta 2017: 50 livros