sábado, 18 de novembro de 2017

[Livro] Em Cima Daquela Serra - Eucanaã Ferraz

Aquela serra parece que só tem boi, mas calma lá! Se olhar direitinho vai além das boiadas. Se chegarmos mais pertinho vamos perceber que temos outros animaizinhos, plantações, estradas e caminhões, entre uma boiada e outra, sempre passa algo, além do tudo, pode passar o nada, é só prestar atenção que além dos bois, passa outras coisas.

Eucanaã adora escrever sobre animais, dessa vez o boi foi o escolhido, e é através dessa figura que passeamos pelo o alto da serra e vemos tudo o que acontece por lá. A ideia de colocarmos a cadeira na calçada e observar a movimentação, perceber além das grandes cenas, aquelas interações que passam desapercebidas no nosso cotidiano.

As ilustrações parecem um pathwork, cada pedacinho uma estampa e todos juntos uma parte da história, trabalho inspirador da Yara Kono, traços simples que entendem muito de bicho, esse também não é o primeiro livro desse tema que ela trabalha. A edição está impecável e faz parte do projeto Itaú Social, incentivando os pequenos a conhecerem o mundo dos livros.



sábado, 11 de novembro de 2017

[Livro] O Menino Azul - Cecília Meireles

Um garoto de tonalidade azul que sonhava em ter um bichinho incomum como amigo, um burrinho, um companheiro para conversar, desbravar o mundo e conhecer diversas histórias. Um enredo tão delicada que logo nos remete a nossa infância, aos bichinhos que sonhamos em criar, as amizades que queríamos ter.

Impossível realizar a leitura e não pensar no porquinho que eu queria criar, e ainda quero, em todas as histórias inventadas e desejadas, os momentos compartilhados e a amizade, aquela lealdade que só o nosso bichinho tem em troca de nossa companhia. Um sonho que ainda vai se tornar realidade!

Mais uma história incrível da fantástica Cecília Meireles, escolhida para fazer parte da Coleção Itaú Social, projeto que incentiva a leitura para as crianças. A edição ganhou o talento da ilustradora Elma, pernambucana que deixou a obra ainda mais lúdica com seus traços aquarelados. Que nunca deixemos de apreciar as obras de Cecília! 💓

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

[COLA&BORA] Candy Machine | Filho do Freud

Apoiar novos projetos culturais é sempre uma satisfação, sou daquelas que participa de festivais de bandas desconhecidas, assiste peças de teatro com mais seis gatos pingados, compra fanzine na banquinha da faculdade só pra conhecer novos traços e escritas. Desde quando comecei a explorar esses sites de financiamento coletivo tive a oportunidade de conhecer muitos trabalhos bacanudos, daqueles que dá vontade de ter sempre mais. Hoje trago alguns projetos que colaborei nos últimos dias, uma forma simples de divulgar as campanhas e fazer com que mais gente conheça esses artistas.

HQ Candy Machine

Conheci o trabalho da Dharilya através das feiras de fanzine que acontecem em Fortaleza, impossível não se apaixonar por seus traços, a delicadeza de suas histórias, o que conquista mesmo é a fuga da mesmice, traços tão fofos contando histórias de terror. Candy Machine traz a história de uma garotinha que se perdeu na floresta ao sair para procurar doces, mas muitas travessuras vão atravessar seu caminho.


O projeto ainda te dá oportunidade de adquirir trabalhos anteriores, como o Relicário HQ e Amanita, sem contar os prints, adesivos, marcadores de página e as recompensas de acordo com as metas alcançadas. Já apoiei o projeto e garanti minha coleção completa, aproveita! 




HQ As traumáticas aventuras do filho do Freud

Se você ainda não conhece a página do Filho do Freud, não sabe o que está perdendo! Tirinhas bem humoradas que retratam as relações do pai da psicanálise com sua família, pacientes, amigos e invejosos. Pacha Urbano está lançando o 3º e último volume d'As Aventuras do Filho do Freud, dessa vez dando um enfoque maior para o primogênito Jean-Martin e os trotes de Dr. Jung, seu inimigo.


O projeto oferece recompensas exclusivas, como a caneca do Filho do Freud e o caderno de desenhos com tiragem limitada. Todos os apoiadores receberão um jogo de tabuleiro exclusivo, que já vem encartado na publicação. Eu já garanti o meu exemplar, e você?

terça-feira, 31 de outubro de 2017

[Livro] Casos de Família - Ilana Casoy

casos de familia 2

Vou começar me justificando, apesar de não ser necessário, mas desde quando iniciei essa leitura algumas pessoas me olharam atravessado pelo conteúdo que o livro trazia. Antes de escolher a área de Comunicação, pensei em cursar Direito, trabalhar na área Penal, sempre achei extramente interessante a forma que os detalhes vão se encaixando até se desvendar um crime, os fatos que levaram os envolvidos a chegarem até ali, a forma que os profissionais trabalhavam para desenvolver uma linha de raciocínio que refutassem qualquer mentira.

Porém, com o tempo, percebi que nem tudo era justo e ético, dinheiro e um network poderoso poderia tornar qualquer culpado em inocente instantaneamente, além de diversos outros fatores que parecem estar acima de qualquer código penal, ou da realidade. Hoje, mais do que nunca, nossa justiça está cada vez mais desacreditada e os profissionais do meio precisam ter o estômago cada vez mais reforçado para ver essa enxurrada de absurdos. Definitivamente não tenho estômago preparado para isso, por isso, escolher cursar Publicidade & Propaganda foi a escolha mais acertada que eu poderia ter, o que não me impede de ler sobre investigações e juris. Blz? Blz.

Ilana Casoy é formada em administração e especialista em criminologia, se dedica a análise de perfis psicológicos de assassinos em série e crimes violentos, ganhou respeito no meio e hoje tem permissão para acompanhar alguns casos e colaborar na análise e construção desses perfis. Ilana é escritora e publicou diversas pesquisas sobre o assunto, colaborou em casos reais como o dos Richthofen e dos Nardoni, escreve para o Investigação Discovery e ajuda na construção de personagens para TV.

Resenhar o livro Casos de Família é excluir o lado técnico e apenas sentir, reviver a repercussão dos crimes, relembrar as inúmeras reportagens e especulações, trazer a tona o amargor de acompanhar casos que vão contra a própria família. É descobrir que todo lado podre, tem um lado mais podre ainda, aqueles detalhes e impressões que só quem acompanhou poderia descrever.

Iniciamos a leitura com o O Quinto Mandamento (honrar pai e mãe) - Caso Richthofen. Suzane planeja matar os pais com a ajuda do namorado Daniel e o cunhado Cristian, a herança e a liberdade são os motivos. Os três confessam o crime para a polícia ao serem confrontados, cooperam na reconstituição do assassinato e são condenados.


O que não vimos na TV é a total frieza que o caso foi levado pelos envolvidos, mesmo quando fingiam que não sabiam de nada, o choro sem lágrimas, o churrasco na casa após o assassinato, a preocupação desacerbada pelo dinheiro, a compra de bens, o aniversário no sítio, a diversão pela liberdade conseguida. A polícia conseguiu juntar cada momento de frieza de Suzane e pânico dos olhos dos irmãos Cravinhos para confrontar os suspeitos.

A reconstituição é o momento em que os irmãos Cravinhos percebem o tamanho da bobagem que fizeram e entram em desespero, já Suzane e Andreas (irmão mais novo dela) agem como se nada tivesse acontecido. Andreas é a grande incógnita do caso, ele é frio e se comporta como se nada afetasse ele, como se ele nem conhecesse aquelas pessoas que faleceram, mas deixa claro o tamanho do carinho que ele tem pela família Cravinhos e nada abalou a relação entre eles, nem mesmo o fato deles terem assassinado seus pais.

O julgamento acontece, a promotoria explora todas as leituras que se pode ter sobre o caso, o lado emocional e o puramente racional. A defesa, mesmo com a confissão, tenta provar que alguém influenciou alguém e que o casal eram péssimos pais, mesmo a polícia provando o contrário. Impressionante a falta de empatia do ciclo de convívio da família, talvez o relato mais empático tenha sido da moça que trabalhava na casa. Leitura finalizada com a sensação que ainda existe um lapso no caso, que a polícia nunca conseguiu provar.

A segunda parte traz o Caso Nardoni - A prova é a testemunha. A madrasta em um pico de estresse esgana a enteada e o pai joga a criança do sexto andar do Edifício London para tentar encobertar os maus tratos anteriores. Os acusados nunca confessaram o crime, o prédio não tinha câmeras e ninguém viu o que realmente aconteceu, por isso o livro traz apenas o julgamento, o depoimento dos profissionais que solucionaram o caso, relatando as pistas deixadas no local.

Uma fralda em um balde com água e sabão, um apartamento zoneado, uma folha desenhada em cima da cama, um absorvente usado no meio dos brinquedos, uma tesoura para cortar carnes, gotas de sangue, uma rede de proteção rasgada, uma pegada em cima da cama, tudo era pista para um caso que não tinha testemunhas. A cronologia dos fatos é a prova que nunca existiu uma terceira pessoa na cena do crime, a história do casal não batia com tudo o que tinha sido visto.

A promotoria trouxe diversos profissionais para provar ao juri a sua competência, dando credibilidade aos laudos apresentados, como o especialista em gotas de sangue (o único do Brasil no momento), ou a especialista em reagentes (uma das poucas pessoas que sabiam utilizar o produto). Todos os depoimentos foram contextualizados através de registros telefônicos e fotos do local do crime. A defensoria argumentou usando as falhas nos processos realizados pela polícia, exames que não possuem registro, falta de material para análise, contaminação na cena do crime e a falta de testemunha, afinal, a acusação foi feita baseada em suposições.

casos de famlia 1

Durante a leitura pesquisei o histórico de alguns nomes citados, alguns ganharam visibilidade após trabalharem no caso, ou já eram conhecidos por atuarem em casos de grande destaque, como o Podval, advogado de defesa do casal Nardoni, trabalhou também na defesa do médico Farah (matou e esquartejou a amante, recentemente se matou ao receber a notícia que iria voltar para a prisão).

A leitura é bastante densa e exige momentos de total desconexão, é preciso respirar e esquecer da imagem da Suzane chorando no enterro dos pais, ou do choro da Jatobá na entrevista para o Fantástico. É perturbador perceber que são crimes que acontecem rotineiramente, mas que a mídia só da visibilidade quando acontece em área nobre, com gente branca, com famílias relativamente estruturadas e bem aceitas pela sociedade. O criminoso fugiu do esteriótipo e se apresentou na roupagem de "gente do bem".

A DarkSide fez um trabalho editorial incrível, o livro está magnífico, o cuidado com cada detalhe, o moleskine com a letra e desenhos da Ilana mostrando o que ela sentiu em cada momento, as fotos e os registros anexados aos casos, a capa em alusão ao caderno de anotações, tudo está fantástico. Quero mais DarkSide, quero muito mais!

⏳ Hoje completa 15 anos do Caso Richthofen.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

[Divulgação] Fli7 - Festa Literária 7 de Setembro


A Educadora 7 de Setembro está promovendo a Fli7 - Festa Literária 7 de Setembro, o evento acontecerá entre os dias 27 e 30 de setembro com o tema "Literatura como arte que transforma a realidade". A programação trará uma homenagem especial ao escritor Patativa do Assaré, além de debates, oficinas, conferências e concursos literários. 

Separei algumas atrações que já estão nos meus favoritos, aqueles momentos que eu não vou perder por nada. Já conferiu a programação completa? Vem que tem muita coisa incrível que você não pode perder!

👉 Oficina de Ilustração Editorial
Quando: 27 de setembro, 17:30
Quem: Thyago Cabral

👉 O Feminino na Literatura
Quando: 27 de setembro, 18h
Quem: Graça Fonteles e Ana Miranda

👉 Literatura e Transformação
Quando: 27 de setembro, 19:30
Quem: Luiz Ruffato

👉 Literatura e Web
Quando: 27 de setembro, 21h
Quem: Dyana Colares

👉 Oficina de Linoleogravura
Quando: 28 e 29 de setembro, 8h
Quem: Sara Nina

👉 Oficina Escrita Criativa
Quando: 28 de setembro, 14h
Quem: Matheus Lins

👉 Teatro OU TUDO OU NADA
Quando: 28 de setembro, 16h
Quem: Leuise Furtado e Ildo Mota

👉 Vídeo A PADARIA ESPIRITUAL
Quando: 28 de setembro, 16:30
Quem: Felipe Barroso

👉 Mostra de Curtas
Quando: 28 de setembro, 17h
Quem: Natércia Rocha, Coletivo Nigéria

👉 Patativa do Assaré: o sertão e sua voz
Quando: 28 de setembro, 18h
Quem: Gilmar de Carvalho

👉 Literatura e inclusão: história que incluem e empoderam as crianças
Quando: 28 de setembro, 18h
Quem: Tânia Dourado

👉 Criação em Quadrinhos
Quando: 28 de setembro, 18:30
Quem: Zé Wellington, Renato Roseno e convidados

👉 Um longo percurso calçado de livros
Quando: 28 de setembro, 19:30
Quem: Marina Colasanti

👉 Roda de conversa: Crowdfunding e Mercado Editorial
Quando: 28 de setembro, 21h
Quem: Kamile Girão

👉 Oficina Roteiro e Narrativas em Quadrinhos
Quando: 29 e 30 de setembro, 14h
Quem: Marcelino Câmara

👉 Oficina de Grafite
Quando: 29 e 30 de setembro, 14h
Quem: Coletivo Acidum

👉 Sessão de Autógrafos
Quando: 29 de setembro, 16h
Quem: Thalita Rebouças

👉 Oficina de Capas de Livros Minimalistas
Quando: 29 de setembro, 17:30
Quem: Claudia Vidal

👉 Uma história do samba: a biografia de uma existência coletiva
Quando: 29 de setembro, 19:30
Quem: Lira Neto

👉 Panorama das Publicações e Editoras Independentes
Quando: 29 de setembro, 21h
Quem: Tarcisio Bezerra e Cláudia Vidal

👉 Criação Literária: de onde vem o dom, a prática e a arte de pensar a literatura?
Quando: 30 de setembro, 8:30
Quem: Socorro Acioli

👉 Show INVOCANDO QUE SÓ
Quando: 30 de setembro, 12h
Quem: Dona Zefinha

👉 Oficina de Bonecos da Literatura Fantástica
Quando: 30 de setembro, 14:30
Quem: Simone Barreto

👉 A importância da Literatura Juvenil para o leitor brasileiro
Quando: 30 de setembro, 14:30
Quem: Bárbara Morais

👉 Calçando Histórias
Quando: 30 de setembro, 14:30
Quem: Tâmara Bezerra

👉 Literatura, realidade e imaginário
Quando: 30 de setembro, 16:15
Quem: Gonçalo Tavares

Fli7 - Festa Literária 7 de Setembro
- Onde: Uni7 - Av. Almirante Maximiniano da Fonseca, 1395
- Quando: 27 a 30 de setembro
- Site: http://www.fli7.com.br/

sábado, 9 de setembro de 2017

[Cinema] Atômica

Esquece aquele filme de ação com o macho indestrutível sendo o protagonista da porra toda. Esquece aquele brucutu soltando socos e chutes, sem sofrer um único arranhão. Esquece aqueles filmes de espionagem que só tem tiro e sangue, mas é uma negação no enredo. Esquece isso tudo e lembre da Charlize Theron sendo um exemplo de mulher que pode tudo, em plena guerra fria, entre socos e paixões.

Estamos na semana que antecede a queda do muro de Berlim, um dos símbolos da guerra fria, monumento que separava fisicamente a capital da Alemanha em Ocidental e Oriental. A espiã Lorraine Broughton recebe a missão de investigar o assassinato de um oficial britânico e recuperar a listagem dos agentes duplos, porém, ao contar com a ajuda de David Percival, agente infiltrado, ela vai perceber que nessa missão nem todos são confiáveis.

O enredo é baseado no quadrinho A Cidade Mais Fria, de Antony Johnston e Sam Hart, exata definição de como Berlim se apresentava diante dos conflitos, gélida, amedrontada e torturante. O cenário que o enredo se desenvolve é bem construído, a marginalidade das ruas da capital, a ditadura que a população sofria, a tensão em cada respiração, o medo em cada ato. É incrível imaginar como as pessoas conseguiam sobreviver naquele fogo cruzado, que geralmente se apresentava de forma silenciosa e sorrateira.

A fotografia de Jonathan Sela chega ser hipnótica, as cores frias de uma Berlim Oriental, tons acinzentados passeando entre o azul e o verde, destacando a disciplina militar imposta na época, o tradicionalismo e o medo constante. Cores neon na Berlim Ocidental, região que era referência de moda, de modernidade, de quebra de barreiras, grupos insatisfeitos com a situação se rebelavam contra o governo. Um jogo de luzes e ângulos que contaram muito sobre os lados do muro.


A trilha sonora é o primeiro indício que estávamos diante de um grande filme, os grandes clássicos dos anos 80 vão enchendo as cenas de referências e trazendo um novo significado para as ações. Podemos citar Cities in Dust, de Siouxsie and the Banshees, Father Figure, de George Michael, She Lost a Control, de Joy Division, e Cat People, de David Bowie.

É contagiante perceber o quanto Charlize Theron se entregou a personagem, seus olhares intensos, sua postura, sua transição pelas várias facetas que o enredo pede, podemos ver uma mulher empoderada que é dona de si e não tem medo de seguir seus extintos e desejos. Sofia Boutella, como a exótica Delphine Lasalle, consegue incendiar a tela, banhada por luzes vermelhas e ângulos laterais, a sensualidade e a cumplicidade da personagem envolve o expectador, deixando aquele gostinho de quero mais e que ela poderia ser mais bem aproveitada.


O irônico David Percival, interpretado por James McAvoy, faz o contraponto com a poderosa Theron, seus diálogos rápidos e sua desconfiança que ela não é tão boa quanto ele, faz com que o público vibre todas as vezes que ela consegue ser mais esperta e ágil. As longas cenas de luta são de tirar o folego, algumas referencias podem ser identificadas facilmente, como o laço usado pela mulher-maravilha utilizado por Theron. Vale lembrar que a entrega foi tamanha que a atriz dispensou a dublê.

O longa não conquista a nota máxima por ter um enredo um pouco confuso, talvez seja preciso assistir duas, três vezes para entender qual o lado de cada agente duplo, ou o que cada um pretendia, mas a construção dos personagens, a escolha dos atores, a fotografia, trilha e principalmente a direção, faz com que o filme seja uma ótima opção.